terça-feira, 5 de junho de 2012

Apresentando: O livro-brinquedo!


Uma das perguntas que nosso grupo se fez mesmo da realização de nosso trabalho é: Como a literatura pode ser inserida na educação da criança que ainda não foi alfabetizada? Eu trabalho em uma livraria, e a maioria das vezes me encontro no setor infantil da mesma e, por isso, possuo maior contato com a realidade da literatura infantil atualmente e a procura de literatura infantil (o setor infantil é o setor que mais lucra na loja de Campinas) para crianças pequenas é cada vez maior, principalmente para as crianças na faixa de 0 a 6 anos, exatamente a idade que ainda não sabe ler.

Durante as conversas com diversos clientes, a maioria busca inserir o livro na realidade da criança, pois , segundo eles, hoje em dia a tecnologia que as garantem vídeo-games, dvds, e brinquedos extremamente sofisticados acabam afastando-as da busca pelo livro como recreação. E o que é indicado para uma criança que ainda não é alfabetizada em matéria de livros? Como tirar elas de frente da tela da televisão e criar o hábito de leitura? A resposta está em  uma palavra composta: Livro-brinquedo.

É a mistura do poder de transmitir conhecimento do livro com o entretenimento e a alegria que está ligada ao brinquedo. “O livro-brinquedo tem uma força comunicativa em sua apresentação formal-visual-tátil. (...) é um suporte que atraia a atenção das crianças pelo seu formato diferenciado, características ornamentais e apelos sensoriais. Convoca ao prazer, descoberta, aproximação. Alterado, saído dos formalismos da estrutura do livro modelar e tradicional, e de seus lugares convencionais de uso, o livro-brinquedo pode ser pendurado como livro móbile, mordido, pintado, apertado, levado para o banho, a cama, montado como jogo ou cenário, projetado.”

O termo livro-brinquedo, porém, é recente no Brasil. Esses livros têm como principal característica o uso de diversos recursos visuais, de toque, de movimento e de som. Existem diversos segmentos do mesmo e buscam atingir o público infantil, ajudando o desenvolvimento e ao mesmo tempo divertindo, educando a criança sem que às vezes ela nem perceba.

O livro brinquedo carrega consigo o teor de novidade necessário para despertar o interesse sensorial da criança, aguçando sua curiosidade. Por serem chamativos, há toda uma vontade de apropriação da parte das crianças para com o livro brinquedo. Não só despertar a vontade de apropriação, mas o livro brinquedo também desperta o interesse pela história a ser contada, pelo seu conteúdo. No Brasil as maiorias das escolas de educação infantil ainda não se utilizam do livro-brinquedo em sala de aula, seja pelo custo ou pela falta de conhecimento, mas já há casos de sucesso comprovados do envolvimento desse material na sala de aula.

Algumas peculiaridades da categoria livro-brinquedo:


Formato: Livro em formato de bolsa, de maleta, de bicho, mascote, móbile, cubo, quebra cabeça, travesseiro, etc.



Dobradura: Livros projetados por dobradura, os famosos pop-ups, montagens, e surpresas para o leitor.



Dimensão: Livros que destacam volumes, profundidades, livros 3D, etc.



Movimento: Convida a criança ao manuseio, livros com abas, com “cineminha”, com scanimation.



Jogo de Cena: Pistas ocultas no livro, livros de procurar, jogos, etc.



Interatividade: Livros sensoriais, puxar, levantar, ouvir, apertar. Interação da criança para a leitura.



São diversos os sentidos aguçados pelo tipo de livro, sentidos esses que estimulam o desenvolvimento das crianças. A aparência do livro deve sugerir a criança que deve brincar com ele, e deve aguçar nela a vontade de brincar novamente com ele. O interessante do livro brinquedo é que ele consegue incluir assuntos novos que são dificilmente atrativos a crianças pequenas sem o material visual chamativo. São incorporados aos livros brinquedos assuntos como moda,  cinema, teatro, publicidade, música, entre outros assuntos do cotidiano adulto que são transportados a realidade infantil através da aproximação da leitura e da diversão. Assuntos como história da arte antigamente tão pouco explorada em livros infantis (pouco explorados talvez não, mas pouco escolhidos pelas crianças como “livro interessante”) se tornam atrativos a partir do momento em que a interação é proposta.



No artigo de Ana Paula Paiva, ela cita um projeto em que o livro-brinquedo é apresentado a crianças de uma escola infantil e após essa apresentação elas mesmas criaram seu livro brinquedo. A ideia da professora responsável pelo projeto foi de fazer um livro sobre uma família de pintinhos, onde cada criança contou a própria personalidade em seu mini livro em formato de pintinho, e posteriormente, todos estes foram guardados em formas de ovos, e decorados com texturas sensíveis a toque. Segundo a professora a sala ficou unida pela atividade e todos os alunos se envolveram. “O corpo todo da criança se põe a sair do inerte: levanta, puxa, monta, intercede, abaixa, mexe, fala, ri”. “os aproveitamentos de leitura do livro-brinquedo estão estimulando nos alunos de educação infantil participação intensa, atenção, socialização, ricos desenhos, belos comentários, partilha de acontecimentos, teatralizações e feitura de histórias em reconto.” É um momento de descontração em sala de aula, onde ler brincando transforma os alunos em envolvidos diretamente com a aula. Eles aprendem com prazer e isso se aplica nos resultados posteriores.

Ler e brincar, provavelmente prevalecerá como uma tendência e recurso para a educação infantil do século, e o uso do livro-brinquedo como ferramenta é sem dúvida importante.  Criar o prazer pela literatura desde a infância prepara as crianças para o futuro onde elas TERÃO que ler, e as prepara para a atual era de informação. Cada dia mais crescem o número de crianças frequentadoras de bibliotecas, livrarias, bienais, e afins, e, com a incorporação desse material nas escolas ou mesmo pelos pais, o número de crianças (e adultos!) leitores na atualidade só tende a crescer.

BIBLIOGRAFIA:
PAIVA, Ana Paula; CARVALHO, Amanda Carla Minca -  LIVRO-BRINQUEDO, MUITO PRAZER!  in: LEITURA LITERÁRIA NA ESCOLA: REFLEXÕES E PROPOSTAS NA PERSPECTIVA DO LETRAMENTO. (1ª EDIÇÃO, 2011)

3 comentários: