sexta-feira, 4 de maio de 2012

Análise Crítica - Módulo Piaget


Análise Crítica - Módulo Piaget 
Fabricio E. P. Miranda
RA 104873

Comecemos esta análise explicitando que o meu conhecimento sobre Piaget antes do início deste curso se limitava a menções feitas por outros professores, na realidade, críticas ao chamado ‘método piagetiano’. Portanto, reconheço o preconceito que carregava em relação a este personagem e as suas idéias. Porém, ao longo do curso, percebi o quão injustas são aquelas críticas, e ao mesmo tempo, pude perceber algumas das características desta linha de pensamento que são discutíveis de certa forma.
Primeiramente, Piaget buscava respostas para questões de caráter cientifico, basicamente biológico.  A sua curiosidade em entender a formação da inteligência não surgiu por observar como os jovens aprendiam nas escolas, mas sim devido a questões que forma surgindo durante os seus estudos. Considerando o fato de que Piaget influenciou todo o campo da psicologia, pensar que as suas pesquisas surgiram após estudar moluscos em um museu de história natural é no mínimo curioso.  Além disso, toda esta visão cientifica é perceptível em sua obra. Não apenas organizando todas as suas conclusões em etapas, mas recorrendo de termos que seguem da Biologia.
Por exemplo, no processo de aprendizagem, Piaget dizia que ocorria a hereditariedade de estruturas biológicas, apesar de não existir a hereditariedade de inteligência. Ou então quando Piaget diz que a adaptação é fundamental para este processo, através da assimilação e da acomodação de esquemas previamente conhecidos pelo ser. Assim como o conceito de que precisamos ter um desequilíbrio, para que busquemos desenvolver alguma característica que nos coloque em equilíbrio novamente. Podemos citar como outro exemplo do caráter cientifico empregado em suas pesquisas as próprias divisões de fases de aprendizado (período sensório-motor nos primeiros 24 meses, período pré-operatório dos 2 aos 7 anos, período das operações concretas de 7 a 11 anos e o período de operações formais dos 12 anos em diante) uma característica bastante presente em qualquer pesquisador cientifico.
E é neste ponto, nesta divisão de fases, que vemos alguns dos motivos pelos quais este pensamento é tão criticado, ainda que injustamente. Primeiro, tentar separar os diferentes ‘níveis’ de aprendizado é complicado e controverso, visto que é consenso que alunos aprendem de formas diferentes, em velocidades diferentes. Principalmente em tempos atuais, em que facilmente vemos exemplos de crianças que extrapolam estes níveis. Claro, devemos considerar o início do século XX, época em que fora realizado o estudo de Piaget, mas mesmo nestas condições, é impossível que todas as crianças se encaixassem em suas respectivas fases.
Portanto, utilizar esta pesquisa como uma teoria de ensino permite que casos especiais sejam deixados de lado, e ainda existe o problema dela não ser atual, devido ao fluxo exorbitante de informação em que vivemos atualmente favorecem o surgimento dos exemplos de crianças que não se encaixem nestes níveis, como citado anteriormente. Apesar de esta ser uma crítica que acredito ser justa, não foi Piaget quem sugeriu tornar este pensamento em um modelo de aprendizagem, dessa forma as críticas, por mais que sejam válidas, deveriam ser sobre os leitores da obra piagetiana que buscaram utilizar uma pesquisa inacabada como uma fonte, como o próprio Piaget assumira.
Desta forma, vejo Piaget como um grande pesquisador e que por influencia do seu trabalho fora levado a ser um grande nome da psicologia. Apesar de compreensível e até concordar com alguns pontos da sua teoria, a simples idéia de tentar acomodar todas as crianças e jovens em níveis torna a prática de uma possível metodologia piagetiana em sala de aula uma tarefa injusta para com os próprios alunos. Mas acredito que possamos utilizar algumas de suas idéias em sala, como o conceito de equilíbrio ou até mesmo a idéia de atualizar os esquemas que os alunos utilizem para aprender determinado assunto. Em resumo, a obra de Piaget não pode ser ignorada, sendo uma leitura mais do que recomendada a qualquer professor, ou futuro professor.

Análisa Crítica Piaget



Luciene Silva dos Santos RA 094086


É Errando Que Se Aprende, esta é a frase que para mim define o que Piaget prega em sua busca pela essência do desenvolvimento da inteligência. E como todo bom biólogo e ele vê este processo como uma evolução gradativa. Para Piaget essa “evolução/desenvolvimento” da inteligência é dividida em períodos de desenvolvimento de acordo com a idade o indivíduo, onde cada etapa se adquire novos conhecimentos ou estratégias de sobrevivência para compreender e interpretar seu meio, sua realidade. E estes períodos de desenvolvimento só serão superados fazendo com que o individuo possa “evoluir” para etapa seguinte quando houver um domínio ao nível de uma familiaridade tão grande que leva o individuo a uma acomodação da sua etapa atual e ele passa então a buscar de novos conhecimentos/estratégias de sobrevivência utilizando seu “conhecimento de bagagem” como ferramenta para a próxima etapa. E isso é de fundamental importância para que os professores possam também compreender com quem estão trabalhando.  Já que a criança tenta continuamente adaptar os novos estímulos aos esquemas que ela possui até aquele momento.
Vamos conhecer um pouco melhor cada Estágio Cognitivos segundo Piaget:
Sensório-motor (0-2anos):
A partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquema de ação para assimilar mentalmente o meio. Também é marcado pela construção prática das noções de objeto, espaço, casualidade e tempo.
Exemplo Sensório-motor :
O bebê pega o que está em sua mão; "mama" o que é posto em sua boca; "vê" o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pega-lo e levá-lo a boca.
Pré- operatório: (2-7 anos):
É nesta fase que surge, na criança, a capacidade de substituir um objeto ou acontecimento por uma representação, e esta substituição é possível. Assim também este estágio é muito conhecido como o estágio da Inteligência Simbólica.
A criança deste estágio:
* É egocêntrica, centrada em si mesma, e não consegue se colocar, abstratamente, no lugar do outro.
* Não aceita a ideia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos "por quês").
* Já pode agir por simulação, "como se".
* Deixa de levar pela aparência sem relacionar fatos.
Exemplo Pré-operatório:
Mostram- se para a criança, duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha. A criança nega que a quantidade de massa continue igual, pois as formas são diferentes. Não relaciona as situações.
Operatório-Concreto(7-11/12 anos):  Este estágio a criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade. Sendo então capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. Apesar de não se limitar mais a uma representação imediata, depende do mundo concreto para abstrair.
Exemplo Operatório-concreto:
Despeja-se a água de dois copos em outros, de formatos diferentes, para que a criança diga se as quantidades continuam iguais, A resposta é afirmativa uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de "refazer" a ação.
Operatório-formal (11/12 em diante):
É neste momento que as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento. A representação agora permite à criança uma abstração total, não se limitando mais à representação imediata e nem às relações previamente existente. Agora a criança é capaz de pensar logicamente, formular hipóteses e buscar soluções, sem depender mais só da observação da realidade
Exemplo Operatório-formal:
Se lhe pedem para analisar um provérbio como "de grão em grão, a galinha enche o papo", a criança trabalha com a lógica (metáfora) e não a imagem de uma galinha comendo grãos.
Pois bem, que me intriga desta geração Darwin, digo, deste esquema gradativo é a sua separação feita por idades, a capacidade de um individuo tomar uma decisão, corrigir uma meta, buscar novas “estratégias de sobrevivência” não pode ser limitada por faixas etárias. Sempre haverá um vazio a ser preenchido se não houver um estímulo, uma ação que seja capaz de tirar o individuo de seu estado de conforto, a idade nem sempre respeita este desenvolvimento. E este é o principal desafio das escolas, em especial as publicas que aderiram “progressão-continuada” no qual passamos para próxima etapa indivíduos que ainda não estão completos, mas que têm a idade para estar. É difícil criar uma situação-problema para alguém que se encontra  no seu estado de conforto cuja solução ou não deste problema não o afetará .Temos que desequilibrar os alunos como um todo e não deixar ninguém para trás pois o vazio só aumentará ao decorrer das fases. Falo isso na visão de aluna que veio de uma escola pública onde a maioria dos professores obrigavam os alunos a decorar - inclusive as vírgulas- as respostas dos livros. E não estimulavam provocando a curiosidade, dúvida ou qualquer coisa que fizesse como que o aluno desequilibrasse do seu estado de conforto. Portanto as teorias de  Piaget só são validas se o educador for capaz de desequilibrar todos os alunos, mesmo que para isso ele tenha que tomar medidas individuais. Estimular o pensar e analisar os erros são as melhores formar de construir a inteligência criativa, a descoberta pelo próprio aluno e abolir a decoração e o aceitamento sem condições de criticas.

  Análise Crítica: Módulo Teoria Psicogenética Piagetiana

       Liriam Samejima Teixeira                RA:103084

                            Minha análise crítica será dividida em duas partes: a primeira sobre os estágios do desenvolvimento genético-cognitivo e a segunda, sobre a aprendizagem escolar.
<!--[if !supportLists]-->*     <!--[endif]-->Nos estágios do desenvolvimento genético-cognitivo explicitarei minha opinião por meio de exemplos, nos quais me baseei na convivência com minha prima Kauanny, hoje com 6 anos de idade e também na minha infância.

        Período Sensório-Motor:

        Do nascimento aos 2 anos, aproximadamente.
                 A característica deste período é a inteligência trabalhada através das percepções (simbólico) e das ações (motor) por meio dos deslocamentos do próprio corpo. Ao meu ver, o contato com o meio é direto. Exemplo:   O bebê “pega” o que está em sua mão; "mama" o que é posto em sua boca; "vê" o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo a boca.  Entretanto, um fator notável é o reconhecimento por meio dos sentidos. No colo do pai, ele sente um cheiro diferente do cheiro da mãe, assim como a pele e o jeito de segurar também são diferentes. É através dos sentidos que ele percebe a diferença. Desde muito cedo, com meses de idade, era evidente que minha priminha já tinha percepção, quando sua mãe se dirigia à ela sorrindo, a Kauannny sorria. Ao ver a mamãe sorrir mais, ela também sorria mais.
                               Quanto à ecolalia (repetição de sílabas) e à palavra-frase também eram evidentes. Por exemplo, minha prima com mais ou menos um ano dizia “goga” ao invés de água. Para ela estava claro que “goga” era água e ponto final; ficava até nervosa se não entendíamos (daí o egocentrismo). Já mais velha, dizia “água” para substituir “quero beber água”.

   Período pré-operatório ou Simbólico ou Intuitivo:

                   Dos 2 anos aos 7 anos, aproximadamente. É o período da fantasia, do faz de conta, do jogo simbólico. A Kauanny  transformava um objeto numa satisfação de seu prazer (o chinelo como o carro da Barbie). Ela também dava “alma” (animismo) aos objetos ("a boneca está dodói"). Agora ela está na fase dos porquês. Segundo a teoria piagetiana, a criança distingue a fantasia do real, podendo dramatizar a fantasia sem que acredite nela. Neste ponto descordo em partes, porque lembro que com 4 anos, eu ainda acreditava em Papai Noel e era mágico meus pais dizendo que o Velhinho tinha deixado os presentes e fugido pela janela. Lembro dos meus pais dizendo: “Olha lá Liriam, ele indo embora!” No entanto, as crianças realmente dramatizam. Presenciei várias imitações como: ela se fazendo de ursinho Pooh para tomar mel.


  
   Período Operatório Concreto:

                 Dos 7 anos aos 11 /12 anos, aproximadamente. Já é capaz de ordenar elementos por seu tamanho(grandeza), organizando o mundo de forma lógica ou operatória. Lembro de minha irmã perguntando:”Liriam, se você tem 1kg de pena e 1kg de chumbo, qual pesa mais?” Minha resposta imediata foi o chumbo. Depois ela me explicou as grandezas e logo compreendi.

  Período Operatório Lógico Formal ou Abstrato:

                Agora a criança é capaz de pensar logicamente, formular hipóteses e buscar soluções.   Em outras palavras, as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas.  
                            Exemplos: Se lhe pedem para analisar um provérbio como "Mais vale um pássaro na mão do que dois voando", a criança trabalha com a lógica da idéia (metáfora) e não com a imagem de um pássaro na mão e dois pássaros realmente voando.

                            Apesar de muitos fatores serem comuns, é importante salientar que as teorias dos estágios do desenvolvimento foram baseadas em uma época diferente da atual. Assim sendo, há muitas diferenças com relação ao aprendizado. Hoje, com os meios de comunicação e com o acesso a gama de informações, a criança tem sua capacidade de desenvolver raciocínio e linguagem precocemente. Desta forma, os indivíduos se desenvolvem intelectualmente a partir de exercícios e estímulos oferecidos pelo meio que os cercam. Daí pode-se fazer analogia com o pensamento piagetiano sobre a inteligência, que seria um mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova.

<!--[if !supportLists]-->*                 <!--[endif]-->Aprendizagem escolar

                           Piaget defende um ensino construtivista, que é contrastante com o ensino tradicional. Cada método tem seus pontos positivos. Portanto, vejo que mesclar os métodos seria uma alternativa eficiente de ensino. Por exemplo, o professor poderia transmitir o conhecimento dos livros e seguir um currículo, mas daria espaço ao aluno para expor suas próprias opiniões e soluções de problemas. É importante que o professor seja um guia e ajude quando necessário, estimulando o raciocínio, a percepção do aluno. É de extrema valia a relação mútua de troca de conhecimentos e respeito aluno-professor. Além disso, o mestre tem a capacidade de expor o que quer ensinar, sem ser autoritário. Portanto, o educando não precisa necessariamente ditar as regras.
               Um fator essencial é a correção de erros do aluno e explicar a maneira correta. Caso isso não ocorra, torna-se complicado a percepção do que é dito como formal. Por exemplo, escrever hipopótamo com “i” ou dizer que 2x6 = 40. São erros que se explicados corretamente, farão com que o aprendiz compreenda e não cometa tais erros novamente. Logo, descordo do “erro construtivo” de Piaget.
                           Em suma, vejo grande importância na figura do professor como um mediador do saber que partilhará seu conhecimento e também aprenderá com seus alunos. 

Análise Crítica sobre Piaget


RA: 122134
Márcia Santana Carvalho

            Primeiramente devo ressaltar que o conhecimento que eu tinha sobre Piaget antes do início do curso não era nada muito além de comentários bem sucintos, portanto falar de Piaget não é muito fácil, pois pelo que percebi Piaget vai muito além do que vimos em sala de aula.
Conforme a leitura dos textos sugeridos para as aulas, fui conhecendo e entendendo um pouco mais do que se tratam os estudos de Piaget, e posso dizer que fiquei admirada, pois eu nunca tinha pensado na questão em que tanto o intrigou: “De que forma os nossos conhecimentos aumentam?” Pergunta a qual não é nada fácil responder mesmo hoje em dia com tanta tecnologia.
A criação da Teoria Cognitiva, o estudo dele com os seus filhos e outras crianças, os estágios em que ele as padronizou (sensório-motor de 0-2 anos, pré-operatório de 2-7 anos, operatório-concreto de 7-11 anos e o operatório-formal 12 anos em diante), me chamou muito a atenção, porque se encaixam perfeitamente: as idades, os pensamentos, a forma como brincam e como agem. Tudo bem que atualmente existem alguns estágios em que as crianças estão bem mais evoluídas do que Piaget supunha, mas o mundo evoluiu, e com ele as pessoas evoluíram também e evolução faz parte do aumento de conhecimento, e, portanto por mais que sejam feito estudos baseados nas obras de Piaget, não se pode deixar de levar em consideração a evolução das pessoas.
Algo que me chamou muito a atenção foi o egocentrismo das crianças, onde Piaget diz que elas sentem-se no centro de tudo, onde tudo é feito somente para ela. E isso me faz reparar na forma como eu vejo as crianças e o mundo hoje, pois querendo ou não trazemos esse um pouco desse egocentrismo no decorrer dos anos.
Posso dizer que estudar Piaget foi muito importante, pois hoje como professora além de ajudar no aumento do conhecimento de outras pessoas, busco sempre aprimorar o meu conhecimento, se não soubermos o tempo certo de ensinar e a forma como ensinar, e se não soubermos também que todos tem limitações, onde uns vão ter mais dificuldades do que outros, ser educador se torna uma tarefa árdua e quase impossível.
A inteligência é algo simplesmente fantástico, e pude perceber que ela vai muito além do que eu imaginava, e agora percebo o quão importante foi a criação da Teoria Psicogenética, a qual se estuda a formação da inteligência, e como isso foi essencial para a formação da educação como ela é hoje em dia, e com certeza foi Piaget um dos pensadores mais influentes da educação.

Análisa Crítica Piaget


ANÁLISE CRÍTICA: PIAGET
Amanda Nunes Rabello (turma J) 080589

Para enterdermos melhor a teoria Piagetiana precisamos considerar a contextualização histórica na qual Piaget estava inserido. Sendo formado em biologia seu pensamento foi embasado no estudo do conhecimento através do desenvolvimento biológico do ser humano.
Piaget criou o conceito de Epistemologia Genética, dividindo o desenvolvimento do conhecimento em quatro estágios, baseados na maturidade biológica do indivíduo: sensório-motor (de zero a dois anos); pré-operatório (de dois a sete anos); operatório concreto (de sete a 11 anos) e operatório formal (de 11 a 15 anos).  Diferente do que pensava Piaget, acredito que além dos saltos horizontais, encontramos também saltos verticais entre os estágios. Pois além da maturidade biológica do indivíduo, há também os estímulos aos quais cada um está exposto.
Jean Piaget foi contra o apriorismo, que é a ideia que o indivíduo já tem o conhecimento em si; e contra o impirismo, no qual o conhecimento está pronto no meio. Criando o conceito de interacionismo, ou seja, a criança aprende através de suas ações e interações com o meio, o que a torna um ser ativo e pensante. Porém para o sujeito ser ativo, é preciso criar nele a necessidade de aprender. Acho fundamental que Piaget tenha dado importância ao estímulo que cada criança recebe dos indivíduos com as quais ela interage, colocando-os no papel de facilitadores do desenvolvimento cognitivo das mesmas.
Piaget admite a importância do meio no desenvolvimento da inteligência, colocando-o como objeto de conhecimento necessário para que o sujeito seja capaz de assimilar para que assim consiga criar estruturas que posteriormente possam ser incorporadas (acomodação) e reestruturadas novamente caso necessário. Porém, o foco de estudos do mesmo recaem sobre o sujeito, passando a impressão de que o meio não influencia em praticamente nada nesse processo. Entendo que Piaget em alguns momentos de sua obra tenta mostrar a importância do meio, mas acredito que ele poderia ter dividido mais o foco de sua análise, pois o sujeito está sob influência da cultura do meio onde está inserido, o que influencia em seu processo processo de adaptação.
Em toda sua obra Piaget tem como objetivo explicar como a inteligência é desenvolvida, em certo momento, porém, percebe que é impossível pensar na aprendizagem sem pensar no juízo moral e na afetividade, já que a moralidade tem relação direta com a afetividade que baliza a cognição.
Podemos perceber a presença da afetividade no processo de aprendizagem desde o início, quando a criança segue regras por medo da repreensão ou por amor, em seguida ela entende os princípios que regem as regras. A partir de então dá-se início à formação da moralidade, quando o indivíduo começa a entender os princípios e os valores de cada regra. Piaget apresenta então dois novos conceitos para pensarmos, o equacionamento moral, que é hierarquizar os dilemas morais para tomar decisões; e a sensibilidade moral, perceber o implícito, que só é possível quando o sujeito tem experiência de respeito mútuo e cooperação.
Após analisar parte da obra de Piaget, é possível perceber a importância da relação horizontal entre adulto e criança, entendo que a cooperação permite um desenvolvimento moral maior no indivíduo, e que há consequentemente uma relação de confiança entre aluno-professor/pais-filho, que influenciam no processo de ensino-aprendigem. Mas acho importante não excluirmos completamente a forma de coação, pois em alguns momentos é necessário uma conduta unilateral.

Análise Crítica - Módulo Piaget

Giulia Cristina Ortolan
RA: 120967


Piaget. Antes do início do curso, Piaget tratava-se de um nome que já havia ouvido inúmeras vezes, mas sobre o qual pouco sabia. Lembro-me até hoje de uma conversa com uma tia minha, professora de ensino infantil na rede municipal da minha cidade, em que ela contava para mim e meu pai sobre esse tal Piaget, mas eu, bem distante de pensar em cursar Letras, confesso lembrar muito pouco por não ter me interessado. Hoje, professora de inglês, e conhecendo melhor a obra e as ideias de Piaget, posso dizer que concordo com alguns de seus pontos, e discordo de outros.
O primeiro ponto a fazer saltarem meus olhos para o que Piaget diz foi a questão do egocentrismo. Piaget nos diz que, ao longo dos quatro estágios de desenvolvimento da inteligência (Sensório motor, Pré-operatório, Operatório e Operatório Formal),  o egocentrismo está presente, em cada um com seu devido grau. Vai dizer ainda que, para ser egocêntrica, a criança tem que agir inconscientemente, ou seja, o egocentrismo não é proposital, ele, de certa maneira, apenas acontece. E foi exatamente uma atitude egocêntrica que pude facilmente começar identificar alguns aspectos da teoria de Piaget em umas das minhas classes. Certo dia estava trabalhando com um “memory game”, ou jogo da memória, com meus alunos que tem entre 4 e 5 anos. Já havia arrumado as cartas no chão, e os chamei para brincar quando um dos meus alunos virou-se para mim e disse “tô fora”. Esperando que ele se entusiasmasse ao ver os outros brincando, decidi iniciar a brincadeira, porém fui novamente surpreendida por ele, que ao nos ver iniciar a brincadeira, disse: “tia, o que você tá fazendo? Eu disse que eu tô fora”. Ali tive um dos maiores exemplos de egocentrismo que já tive oportunidade de vivenciar enquanto professora. Ele não queria brincar, e não conseguia entender que talvez os outros quisessem: se ele não queria, provavelmente os outros também não queriam, então ninguém deveria estar brincando.
Outro ponto interessante tratado por Piaget aparece quando ele nos diz que para que uma criança assimule ou acomode um assunto novo, é preciso causar nela um desequilíbrio, e que, falando em uma sala de aula, deve ser provocado pelo professor. Ora, como professora, encontro aí um grande desafio. Temos, por vezes, em uma mesma sala de aula, alunos em níveis diferentes, porque cada aluno, antes de ser aluno, é um sujeito que suas vivências, principalmente e majoritariamente familiares, e seus aprendizados, que influenciam em que tipo de aluno (se é que é possível falar em tipos de alunos, realmente) ele será. Tendo tantas diferenças em uma mesma sala de aula, a dificuldade em causar o desequilíbrio está no nivelamento a ser dado. Como às vezes temos alunos muito bons e alunos mais fracos (e não digo quanto ao esforço que têm para estudar, mas ao seu tempo de aprendizado) é preciso ter cuidado para não nivelar em um patamar baixo demais, que desestimule o aluno bom, e nem em patamar alto demais, que exclua o aluno mais fraco. Uma segunda preocupação que aparece nesse processo é certificar-se de que todos os alunos possuem os esquemas necessários para se desenvolver, e assimilar. Por vezes os professores se esquecem disto, e depois ficam tempos se questionando sobre por que os alunos não entendem isto ou aquilo.
E com tantos alunos diferentes, havemos de concordar que (como inclusive discutido por vezes em aula) as crianças que Piaget analisou não são as mesmas crianças que nós temos hoje. Nossas crianças são bombardeadas diariamente por inúmeras informações, que absorvem através da televisão e dos jogos de computador e vídeo game, principalmente. E por esse motivo elas vivem, constantemente, nos surpreendendo. Na escola em que dou aula, as crianças têm por costume jogar jogos no computador enquanto esperam pelos pais. Aqueles meu alunos de 4 a 5 anos saem da sala, e sozinhos colocam no seu site preferido, escolhem sozinhos os seus jogos, conseguem pular toda a introdução que o jogo apresenta, e, normalmente, aprendem a jogá-lo sem pedir instrução a ninguém.
Piaget vai tratar também do desenvolvimento moral, que é outro ponto de meu interesse, por ter contato frequente com crianças. Vimos que as crianças são submetidas a regras morais, que vão seguir, inicialmente, por medo ou por amor aos pais, para que depois elas comecem a compreender os princípios e valores presentes nessas regras. Porém, novamente penso convir dizer que as crianças que Piaget analisou não são as mesmas crianças que temos hoje. Como disse anteriormente, meus alunos costumam jogar jogos na internet antes de deixarem a escola. Presencio todas as semanas o quão difícil é para alguns (a maioria) dos pais fazer com que os filhos desistam do jogo antes dele terminar para ir embora. Eles tentam usar argumentos do tipo “em casa você tem mais tempo para jogar”, ou “vamos que o papai está com pressa”, ou ainda “vamos que a mamãe está esperando” e tantos outros, mas são raras às vezes em que as crianças obedecem imediatamente. É preciso desgastá-las muito antes de convencê-las a ir. Isso talvez mostre que as crianças, pelo menos por amor, não obedecem tanto assim, ou relutam antes de aceitar, ou mesmo por vezes não aceitam. Mas confesso que esse é, para mim, ainda um campo a ser mais explorado, principalmente em meu trabalho.
Piaget morreu dizendo que sua teoria ainda não estava pronta, e penso que ela precisa ser repensada a cada dia, justamente por um pensamento que foi extremamente recorrente em minha análise – as crianças, inevitavelmente mudam, e mudaram muito em poucas décadas, e continuarão mudando. Elas já não têm mais os mesmo brinquedos, não fazem mais os mesmos tipos de brincadeiras, e vivenciam coisas do mundo adulto com mais frequência. É uma teoria que merece ser “reciclada” e repensada, pois possui aspectos que até hoje podem ser enxergados nas crianças (como o egocentrismo, por exemplo), e através dessa lapidação da teoria  poderemos ver se elas realmente se aplicam ao desenvolvimento das nossas crianças da atualidade, ou se algo mudou, e o que é que mudou.

Análise Crítica da Teoria de 

PIAGET


Estava pensando sobre o que dizer da obra de Piaget sobre a cognição, mas o que me veio à mente - em primeiro lugar - foi quem eu sou diante de Piaget. Estudei muito pouco em minha vida para refutar suas teorias, talvez nem tenha tido uma compreensão real delas. De qualquer modo, posso passar aqui somente as minhas impressões, as impressões de alguém que não possui muito conhecimento de mundo e, muito menos uma boa base sobre o assunto do qual devo criticar.

Bem, para mim as teorias de Piaget parecem bem fundadas. Ele, segundo sua biografia, foi bastante dedicado a sua pesquisa, utilizando até seus filhos como objetos de estudo. Não posso dizer que sou contra, ou a favor - não tenho filhos -, mas sei que dão trabalho, então que mal há em lucrar com isso – tudo bem não devia existir o concelho de ética naquela época. Além disso, os filhos eram dele, e, as crianças, não podem reclamar de um pai ausente.

O que mais me frustrou na teoria de Piaget foi esse grande peso do sujeito ativo para o desenvolvimento da inteligência. Creio que, mesmo que o indivíduo não queira, a sociedade influi sobre ele, de tal forma, que mesmo passivamente, absorve algum tipo de conhecimento. Talvez, o seu desenvolvimento não se dê da mesma forma, mas a vida acaba por conduzir o sujeito. Digo a vida, no sentido, de suas necessidades, desejos, sonhos, sofrimentos, relacionamentos e até mesmo a abundância e a falta. Todos esses fatores possuem peso sobre a construção do sujeito e seu desenvolvimento intelectual e social.

Segundo Piaget, a construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que, provocando o desequilíbrio, resultam em assimilação ou, acomodação e assimilação dessas ações e, assim, em construção de esquemas ou conhecimento. Mas, quando temos tempo para parar e acomodar algo, principalmente nos dias de hoje, quando crianças de 3 anos já são submetidas a aulas de inglês, música, escola, tecnologias, etc.? Quando dormimos? Mas como podemos acomodar, ou assimilar, algo que não compreendemos?  Mesmo que o novo seja assimilado e acomodado a um sistema já existente o desequilíbrio é constante para uma criança, que torna quase que impraticável esse período de acomodação. De certa forma, assimilamos o que podemos da forma como podemos, e nem sempre o que queremos, pois o ambiente influência muito sobre essa assimilação. Digo como ambiente, não somente a escola e a casa, mas a saúde da criança, sua nutrição, seu estado emocional, suas relações sociais nesses meios, de certo modo até o cheiro e as cores influenciam sobre essa assimilação e acomodação.

A mais forte prova, de que a aprendizagem nem sempre segue essa diretriz, é o trauma. Uma situação pode forçar a barra, e fazer descer pela goela da criança, rasgando, sem dó nem piedade, incutindo nela conceitos, regras, instantaneamente e que, na maioria das vezes, não se consegue mais tirar ou alterar essa “construção”, esse “esquema”, durante toda sua vida. Claro, isso seria uma exceção e Piaget queria descobrir sobre a inteligência o que é endógeno, igual, ou padrão, em todos os indivíduos, ou pelo menos na maioria deles.

A meu ver, a inteligência é maleável, inconstante e um desafio, pois não conseguimos regular nossa própria inteligência: temos dificuldades e facilidades que não estão sob o nosso controle. Concordo, não sei se totalmente, com o autor de que a inteligência é adaptação. Mas seu desenvolvimento não envolve apenas o sujeito, porém também o que o mundo impõe sobre o sujeito: suas oportunidades, escolhas, regras, limitações, etc. Por mais que um sujeito se esforce, muitas vezes ele não consegue se desenvolver; o que, com pouco esforço, outros conseguem adquirir. Ou seja, parece-me que existem pessoas com certas facilidades, habilidades ou potencial, para certos tipos de conhecimentos. Seria um desperdício para a sociedade colocar numa mesma fôrma todos os indivíduos.

Piaget, fala neste aspecto sobre a genética, onde adquirimos de nossos ascendentes algumas familiaridades, ou facilidades, de absorção sobre certos conhecimentos, mas acredito que ele não disse que era uma regra geral, porque sempre há exceções. Um dos filhos de Einstein se tornou físico, mas não alcançou, nem de perto a glória do pai (apesar de ter sido muito produtivo, ou ter vivido sempre naquele meio). De certo modo, acredito que o ambiente propicie para a criança o desenvolvimento de certas habilidades, mais que as outras, pois estas se ajustam a certa facilidade - não sei se adquirida ou – de algum modo, devaneando, pois não faço ideia se isso é possível ou não – de nascença, da índole da criança.

Acredito que ele, Piaget, tenha tido mais criticas a respeito da sua obra do que eu poderia sequer sonhar. Seu interesse foi muito além do meu sobre o assunto. Mesmo que muitos não concordem com o que ele teorizou, seus estudos tornaram-se base para melhorias nos campos da educação e da psicologia, disso não tenho dúvida.

Somos todos capazes de algo, os com sorte descobrem do que são capazes cedo, talvez os mais azarados sejam os que nunca descobrirão, e os normais apanham experimentando isso, ou aquilo, a mercê da vida para descobrir que conhecimento é base de seu propósito – se houver algum propósito – ou simplesmente, pode ser a melhor forma para se viver bem e feliz.