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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Relatório de Atividade Prática - MOTIVAÇÃO -


Alunas:  Liriam Samejima Teixeira                   RA: 103084
              Luciene Silva dos Santos                            094086
              Flaviane Alves dos Santos                           060894


1) Introdução
Foi realizada uma pesquisa, tomando-se como base a perspectiva histórico-cultural do cotidiano escolar de alunos de diferentes cursinhos preparatórios para o vestibular: cursinho comunitário e particular. O cursinho comunitário pesquisado se trata do CASD Vestibulares, Curso Alberto Santos Dumont, de São José dos Campos/SP.
Nosso objetivo é discutir o papel da motivação desses alunos no contexto de ingressar na faculdade.
Os fatores que conduzem a motivação são bem diversificados em cada aluno principalmente quando confrontamos alunos de cursinhos particulares com alunos de cursinhos comunitários, devido as diferentes classes sociais. A família, os amigos, professores, a escola podem influenciar nessa motivação positiva ou negativamente. Assim, o papel do mediador é essencial.

       2)      Descrição do Trabalho Prático nos Cursinhos

2.1) Cursinho Particular
Entrevistou-se um grupo pequeno de alunos com idades entre 18 e 23 anos e uma professora em um cursinho particular da cidade de Campinas. Como resultado, viu-se o grande apoio que esses alunos recebem dos pais e a importância dos professores como mediadores, auxiliando-os a ingressarem na Faculdade.  Esses são os fatores motivadores. Todavia, não há relação afetiva tão intensa entre alunos e professores.

2.2) CASD (Cursinho Comunitário)
            O CASD vestibulares é um cursinho sem fins lucrativo criado e mantido por alunos do ITA - Instituto Tecnológico de Aeronáutica, que trabalham há mais de 10 anos em prol de jovens e adultos. É voltado para o atendimento de alunos da camada menos privilegiada da sociedade, dando-os a oportunidade de ingresso no ensino superior, culminando na ascensão social efetiva. Seus alunos são selecionados por meio de um processo seletivo realizado anualmente. Nesse processo seletivo, o candidato passa por duas fases: uma prova de conhecimentos gerais e uma rigorosa entrevista sócio-econômica que avalia a condição financeira do candidato, garantindo que todas as vagas oferecidas pelo curso sejam efetivamente destinadas a alunos de baixa renda. Basicamente, o objetivo é selecionar os alunos mais carentes e mais dedicados para o curso. 
O CASD Vestibulares tem um grande diferencial dos demais cursinhos comunitários na questão de trabalhar com a afetividade dos alunos motivando-os o desenvolvimento deste vínculo afetivo se dá por meio de socializações entre professor-aluno por meios de aulas diferenciadas e interativas, onde o professor sempre está chamando atenção dos seus alunos, por meio de eventos como churrasco, viradão de estudos, eventos de premiações de melhores alunos nos simulados, e também, no apadrinhamento onde os professores acompanham os alunos que tenham alguma dificuldade, seja problemas de aprendizagem, familiares, financeiros, amorosos, ou qualquer outra coisa que possa desmotivar o aluno. Percebe-se que esta forte relação aluno-professor influencia na formação da autoestima, tanto para o aluno que quer apreender quanto para o professor que ao entrar em um contato direto com seus alunos os torna mais apaixonados pela profissão e torna-se cada vez mais comprometido e com mais amor pelo trabalho. Ou seja, ambos se motivam com amor no próximo e isso faz perpetuar o conhecimento e a vontade de também poder ajudar o próximo com o conhecimento adquirido, formando assim um círculo vicioso que professores e alunos levarão em diante não apenas no período de cursinho. E isso eles chamam de “Família CasDvest”

3)      Um pouco de teoria
A motivação e a afetividade trabalham juntas e contribuem efetivamente no processo de ensino e aprendizagem desde a infância do indivíduo. Pode-se concluir que alunos que são motivados por seus professores e pais conseguem desenvolver facilmente suas aptidões e seu raciocínio. A partir desse ponto podemos entender qual a razão do cursinho CASD aprovar alunos, que tiveram um ensino médio bastante defasado, em vestibulares nacionais tão concorridos.
A motivação, quando estimulada, pode atuar acelerando o raciocínio e na capacidade do aluno expor suas ideias.
Segundo Vygotsky, Jean Piaget, Henry Wallon entre outros, existe a necessidade do reconhecimento de que a afetividade possui um caráter de ação volitiva[1] afetividade pode influenciar no comporto e evolução do aluno.
A motivação leva o aluno a acreditar em seu potencial de construção do aprendizado, nesse sentido, entra o papel do professor que, quando motiva o aluno, leva o mesmo a encontrar nele o mecanismo que impulsiona seu crescimento e para desenvolver suas habilidades, despertando, assim, sua inteligência cognitiva, causando um resultado positivo no processo de ensino-aprendizagem. O resultado prático dessas afirmações pode ser visto na apresentação da metodologia de ensino do CASD vestibulares, que além de motivar alunos que ingressam com uma base muito fraca de aprendizagem no cursinho, também trabalham a afetividade, conseguindo, dessa forma, com que motivação e afetividade possam, juntas, fazer com que esses alunos, atinjam resultados tão bons ou até melhores que alunos que obtiveram melhores recursos durante o ensino médio.
Ao contrário disso, podemos ver que alunos que submetidos ao menosprezo por parte do educador, têm uma forte tendência a ter apatia pelo professor e ter atitudes indisciplinadas em sala de aula. Esses são comportamentos oriundos da falta de motivação e recursos sócio afetivos, por parte dos professores.
Vygotsky acreditava que o desenvolvimento era um processo evolutivo e que funções como a atenção, pensamento e memória se davam através da interação da criança com outros. A partir daí surge o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, que é a distância entre o desenvolvimento real (aquele que torna o indivíduo capaz de enfrentar situações aplicando seu conhecimento de maneira autônoma) e o desenvolvimento potencial (aquele que o indivíduo possui, mas que encontra-se em processo). Resumindo, a ZDP seria tudo o que a criança pode adquirir com ajuda de um suporte educacional, é aquela em que a criança inicia seu aprendizado mantendo-se relação com outro. Com esse conceito e relacionando ao tema motivação, é possível intuir que se o professor transmitir conhecimentos que estão muito acima dos conhecimentos reais do aluno, provavelmente, tem-se uma forte tendência de incompreensão e consequentemente desinteresse por parte do aluno, gerado por uma desmotivação.
Ao contrário, se a transmissão de conhecimento se dá abaixo da ZDP do aluno, ou seja, se os assuntos transmitidos são ideias que o aluno já tem um certo domínio, pode-se pensar que o seu desenvolvimento pode gerar, em um diálogo entre aluno e professor, uma forma do aluno transmitir, também, algum conhecimento seu ao professor, longe de ser desmotivador, havendo uma troca de conhecimentos entre ambos.
Podemos conceituar também, as motivações intrínseca e extrínseca, conceitos muito ressaltados pela psicologia. Na teoria vygotskiana, como ensino e aprendizagem fazem parte de um processo comum, a motivação está presente. Ela é um movimento dialético (a intrínseca depende da extrínseca e vice-versa).Podemos raciocinar da seguinte forma: a motivação humana é observada desde muito pouca idade sob diversas formas. Por exemplo, o bebê que busca a satisfação de sua fome e o aconchego de um colo, ele mostra possuir motivação de sobra, através de seu instinto e necessidades fisiológicas, para conseguir o que precisa, e que lhe cobra a nutrição e os afetos. Nota-se que a motivação é algo que é instintivo e que já nasce junto com o ser humano. Temos aí uma motivação intrínseca.
A motivação intrínseca é fundamental porque é a partir dela que se desenvolve todo o processo de aprendizagem. O aluno precisa estar motivado a aprender, mas não necessariamente os motivos sejam, de fato, o aprender.
A motivação extrínseca tem sido definida como a motivação para trabalhar em resposta a algo externo à tarefa ou atividade, como para a obtenção de recompensas materiais ou sociais, de reconhecimento, objetivando atender aos comandos ou pressões de outras pessoas ou para demonstrar competências ou habilidades[5].O professor exerce um papel importante na motivação extrínseca, pois ele pode produzir uma aula que manifesta interesse nos alunos. Além disso, é importante destacar que o professor, sendo um mediador, é essencial para desenvolver as potencialidades dos alunos e não deixar que tais potencialidades padeçam. O texto  da Bader Burihan Sawaia discute o papel das emoções nas relações, a partir de Vygotski e Espinosa: “a desigualdade social se caracteriza por ameaça permanente à existência. Ela cerceia a experiência, a mobilidade, a vontade e impõe diferentes formas de humilhação. Essa depauperação permanente produz intenso sofrimento, uma tristeza que se cristaliza em um estado de paixão crônico na vida cotidiana, que se reproduz no corpo memorioso de geração a geração. Bloqueia o poder do corpo de afetar e ser afetado, rompendo os nexos entre mente e corpo, entre as funções psicológicas superiores e a sociedade... assim, imobilizada, nossa potência só pode reagir e não agir”, torna-se potência de padecimento, reduzindo nosso esforço de perseverar na própria existência ao sobrevivencialismo negador da vida.” [6] . O CasdVest trabalha justamente de modo a desenvolver as potencialidades de seus alunos, motivando-os de forma afetiva e quebrando o ciclo de pobreza. Seus alunos enxergam suas próprias capacidades por meio dos professores que os instigam a acreditarem no próprio potencial, apesar das dificuldades.
Portanto, o papel do mediador é de grande interesse para nosso estudo a cerca da motivação. Os alunos se sentem motivados a alcançarem seus objetivos pessoais, muitas vezes, pelo incentivo não só cognitivo, mas também psicológico por parte de seus professores e colegas (mediadores). Podemos dizer o seguinte: Piaget diz que é nas vivências que o indivíduo (criança) realiza com outras pessoas, que ele supera a fase do egocentrismo, constrói a noção do eu e do outro como referência[3]. Nesse sentido, entra o conceito de afetividade que é considerada a energia que move as ações humanas, ou seja, sem afetividade não há interesse nem motivação.
Vygotsky, por sua vez, afirma que o ser humano se constrói nas suas relações de trocas com o outro e que é a qualidade dessas experiências interpessoais e de relacionamento que determinam o seu desenvolvimento, inclusive afetivo, enquanto Wallon sustenta que, “no início da vida, afetividade e inteligência estão sincreticamente misturadas, com predomínio da primeira”[4].
O ambiente de aprendizado em um cursinho deveria proporcionar algum grau de “afetividade” e motivação ao interagir com o aluno.
A interação social também influencia a afetividade, interatividade e aprendizagem como um todo. No momento em que os alunos adquirem confiança e consideração por seus professores e colegas, as relações interpessoais começam a se formar. Dessa forma, inicia-se um processo de motivação extrínseca, e os alunos vão interagir entre si no momento dos estudos coletivos, onde vão socializar seus conhecimentos, pelo menos é o que se observa no cursinho comunitário CASD[2].
 Na concepção de Vygotsky, a postura do professor deixa de ser a de um provedor de informações para ser a de um gerenciador de entendimento. Toda a conduta e a habilidade do professor estão centradas na capacidade de motivação, interesse e apoio aos alunos, bem como na preparação do ambiente e na organização dos materiais[2]. Dessa forma, os alunos deixam de ser receptores passivos de informações e passam a ser construtores e socializadores de conhecimento.

4) Conclusão
Podemos desta forma, concluir a importância da motivação dentro do processo de aprendizado do aluno e a relação estabelecida entre a inteligência e o desenvolvimento de capacidades e habilidades.
Ressalta-se também a importância do mediador que tem papel fundamental na motivação dos alunos. Como pode-se observar, o CASD contem um grupo de professores altamente motivador e capacitado, além de trabalharem com a afetividade nos alunos.
Buscando possíveis aplicações da teoria de Vygotsky nos ambientes de uma sala de cursinho, pode-se analisar alguns elementos[2]:
-        O papel da mediação aluno-aluno; aluno-professor;
-        O papel do aluno visto como agente de interação social;
-        A ZDP, espaço entre crescimento espontâneo e mediado por especialistas;
-        O pensamento e o comportamento que vêm do meio social.
A afetividade, nesse contexto, se mostra bastante importante, uma vez que os alunos adquirem confiança e consideração por seus professores e colegas, inicia-se um processo de motivação, que impulsiona os mesmos a atingirem seus objetivos, vencendo todas as dificuldades que lhe são impostas, vencendo até mesmo falta de apoio dos pais, falta de dinheiro e, muitas vezes, tendo que trabalhar no outro período.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1]  LA TAILLE, Yves de. – Piaget, Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão / Yves de La Taille, Martha Kohl de Oliveira, Heloysa Dantas. – São Paulo: Summos, 1992.
[2] ANDRADE, Adja Ferreira -Construindo um ambiente de aprendizagem a distância inspirado na concepção sociointeracionista de Vygotsky.
[3] OLIVEIRA. M. K. de. O Problema da afetividade em Vygotsky. In:
LA TAILLE, Y. Piaget, Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.
[4] LA TAILLE, Y. Piaget, Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.
[5]  BORUCHOVITCH, E.; BZUNECK, J. A. (orgs.). A motivação do aluno: contribuições da psicologia contemporânea. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
[6] SAWAIA, Bader Burihan: Psicologia e desigualdade social: uma reflexão sobre liberdade e transformação social. Psicologia & Sociedade (2009).

Depoimentos de Alunos do CasD


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Análise sobre as teorias de VYGOTSKY e WALLON e suas contribuições para a Educação


Flaviane Alves dos Santos RA: 060894

Vygotsky, Wallon e também Piaget desenvolveram teorias que até hoje inspiram educadores e pesquisadores pedagódicos sobre o processo de inteligência, desenvolvimento e aprendizado.
Há algumas semelhanças, curiosidades e diferenças bem interessantes entre as teorias desses pensadores. Há também algumas curiosidades como o fato de Piaget e Vygotsky terem nascido no mesmo ano (1896) e terem apresentado trabalhos em um mesmo Congresso (IX Congresso Internacional de Psicologia em Chicago) sobre o mesmo tema- questão da fala egocêntrica, antes mesmo de terem seus trabalhos reconhecidos mundialmente nos dias de hoje[1].

A começar pela análise da teoria do russo Lev Semenovith VYGOTSKY, pode-se dizer que o mesmo desenvolveu uma teoria com base no desenvolvimento do indivíduo, destacando a importância da linguagem e aprendizagem de forma crescente, e sua teoria tem como palavra-chave interação social, ou seja, ele defende a idéia de que o desenvolvimento do indivíduo e aquisição de conhecimentos se dá a partir da interação do sujeito com o meio. Esse ponto da teoria é bastante interessante uma vez que a cultura afeta a forma como pensamos e o que pensamos. Por exemplo, em uma família onde os pais e avós falam alto a probabilidade de uma criança que viva nesse ambiente apresentar esse tipo de comportamento é bastante alta assim, muitas vezes o desenvolvimento da criança em sala da aula, pode ser, muitas vezes, resultado do que ele vive em sua casa.
Vale ressaltar também que um dos principais conceitos desenvolvidos por Vygotsky é a Zona de Desenvolvimento Proximal, que seria a distância entre o Conhecimento Real, aquele conhecimento que possibilita o sujeito agir sozinho, ter o domínio do que se conhece (Exemplo: sei fazer feijão) e o Conhecimento Potencial, aquele que para se dominar algo é necessário a ajuda de outro indivíduo mais experiente (Exemplo: Apesar de saber fazer feijão, só sei fazer feijoada com ajuda da minha avó.)
A Zona de Desenvolvimento Proximal é o “lugar imaginário” onde o professor deve atuar no aluno, assim, se o professor tem 35 alunos em sala, ele terá 35 ZDP diferentes para atingir. Podemos fazer um paralelo com Piaget, que trabalha com a idéia de que a função do professor é “desequilibrar os esquemas mentais” do aluno a partir de seus conhecimentos prévios.
Vygostysky também insere o conceito de mediação simbólica que representa fundamental importância no desenvolviemnto da linguagem já que só há um grande avanço de aprendizado apartir do conhecimento de uma linguagem. Pessoas com deficiência auditiva que não possuem nenhum tipo de linguagem tem um desenvolvimento bastante lento sendo muitas vezes rotuladas de deficientes mentais. A partir do momento que apresenta-se uma liguagem ao deficiente auditivo, a linguagem de sinais, ele está totalmente capaz de dar saltos gigantes em seu processo de aprendizado, um bom exemplo disso é o filme, O Milagre de Anne Sullivan, abordado em sala de aula.
O francês Henri Wallon conceituou, em sua teoria, a idéia do desenvolvimento acontecer do meio social para o interior do indivíduo, ou seja, do todo para a parte (processo de individualização), ao contrário de Vygotsky que defende que o processo de desenvolvimento se dá da parte para o todo (processo de socialização). Wallon defendeu a idéia de compreensão da criança completa, concreta, contextualizada, de forma integral, no campo intelectual, social e emocional.
Assim como Piaget, Wallon também criou estágios de desenvolvimento, que são os quatro campos funcionais que visualizam o indivíduo de modo “integrado”. Esses são: as emoções, o movimento, a inteligência e a construção do “eu” como pessoa.
Mediante essas considerações, é de fundamental importância, de acordo com a teoria de Wallon, que o professor respeite as características particulares de cada aluno, uma vez que pode-se assumir, segundo Wallon, que a relação destes quatro campos funcionais, citados acima, nem sempre é de harmonia, mas sim, de conflito.
O que nos remete ao campo educacional, pode-se concluir que o papel do professor de acordo com cada teoria até então abordada:
De acordo com Vygotsky, o professor precisa intervir na ZDP do aluno. Para Wallon, o professor deve considerar a história do aluno, sua vida atual e perspectivas futuras. E para Piaget, o professor tem a função de desequilibrar os esquemas do mesmo.
Voltando-se mais para as terorias de Vygotsky e Wallon, penso que ambas se complementam e se bem aplicadas em sala de aula, há grandes chances de sucesso, uma vez que Vygotsky dá enorme destaque no papel da aprendizagem em si e linguagem para indivíduos de diversas características enquanto que Wallon foca nos aspectos afetivos que envolvem e interferem no processo de aprendizagem.

[1] PRODUÇÃO DE VIGOTSKI (E GRUPO) E WALLON: COMPARAÇÃO DAS DIMENSÕES
EPISTEMOLÓGICA, METODOLÓGICA E DESENVOLVIMENTAL- MAHONEY, Abigail Alvarenga.

Anotações de aula.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

O Papel da MOTIVAÇÃO em alunos de cursinhos preparatórios para o vestibular


Foi realizada uma pesquisa, tomando-se como base a perspectiva histórico-cultural do cotidiano escolar de alunos de diferentes cursinhos preparatórios para o vestibular: cursinho comunitário e particular. Nosso objetivo é discutir o papel da motivação desses alunos no contexto de ingressar na faculdade.
De onde vem a motivação em alunos de diferentes classes sociais e regiões de cada vez mais lotar as classes dos cursinhos pré-vestibulares para um dia poder ingressar em um universidade pública?
Os fatores que conduzem essa motivação são bem diversificados em cada aluno principalmente quando confrontamos alunos de cursinhos particulares com alunos de cursinhos comunitários.
A família, os amigos, professores, a escola em sim podem influenciar nessa motivação positiva ou negativamente.
Com embasamento na teoria de Vygotsky, elaboramos um questionmário e entrevistamos alguns alunos de um cursinho particular.

Um pouco de teoria...

Vygotsky cita dois tipos de motivação:
-A motivação intrínseca: Também chamada de motivação pessoal ou inconsciente. Ela representa o desejo existente no interior do indivíduo de alcançar algum objetivo ou satisfazer uma necessidade. É definida como uma força psíquica que todos nós supostamente possuímos.
-A motivação extrínseca: Caracterizada por fatores predominantemente externos. É conhecida também como motivação ambiental ou consciente. Exemplo: O professor exerce um papel importante na motivação extrínseca, pois ele pode produzir uma aula que manifesta interesse nos alunos.
A motivação intrínseca é fundamental porque é a partir dela que se desenvolve todo o processo de aprendizagem. O aluno precisa estar motivado a aprender, mas não necessáriamente os motivos sejam, de fato, o aprender.
Deve-se levar em consideração situações em que os alunos se auto-avaliam a partir de resultados e tarefas. Essa auto-avaliação pode ser negativa ou positiva e muitas vezes se transformam em critérios principais desses alunos e podem se julgar bem sucedidos ou racassados. Esses julgamentos podem desmotivar alguns indivíduos.
O conceito de inteligência também é algo que paira na mente dos alunos. Alguns acreditam que inteligência seja um dom cedido por Deus ou algo recebido por herança genética. Isso faz muitos dos alunos acreditarem que não são capazes.

Pesquisa de Campo:

Visitamos o Colégio Novo Anglo de Barão Geraldo- Campinas.
Elaboramos um questionário e entrevistamos alunos e professores.

Flaviane Alves dos Santos     RA:060894
Química.





terça-feira, 1 de maio de 2012

Análise crítica sobre a teoria de Piaget e implicações na Educação

Flaviane Alves dos Santos- RA 060894
EL 511- turma F


Um dos principais pontos da teoria de Jean Piaget está relacionado ao processo o qual o indivíduo usa para conhecimento da realidade[1], enfatizando as construções realizadas com seu meio, porém acredito que suas deficiências relacionam-se ao fato de se dar pouca relevância ao aspecto cultural do indivíduo. Vigotski, por exemplo, enfatiza processos de troca entre o indivíduo e seu meio cultural e social. Piaget, em relação à Vygotski, fundamentou sua teoria em pesquisas realizadas por vários anos, porém, na prática, a maioria das crianças que era alvo de seus estudos fazia parte de um mesmo padrão social/econômico, não partindo, por exemplo, para casos em que a criança cresce em ambientes os quais apresentam maiores limitações para seu desenvolvimento, mas não se pode deixar de considerar que em sua teoria, Piaget cita em alguns momentos que se é necessário o social para se ter condições de construir.
Considero muito interessante os períodos de desenvolvimento cognitivos criados por Piaget; no texto de Rappaport[1], há o conceito de desenvolvimento na interpretação de Piaget, como um processo de equilibração progressiva rumo a uma forma final, passando por estágios que são divididos em sensório-motor, pré-operacional, operações concretas e operações formais[1].
Uma característica muito positiva desse aspecto, na teoria, é que o estudo dessas fases do desenvolvimento permite aos professores e pais entenderem e saberem como lidar com as crianças em cada um desses estágios, oferecendo ferramentas e outros estímulos para seu desenvolvimento. Porém, não seria interessante, nos dias atuais, tomar esse ponto da teoria piagetina como regra para se lidar com nossas crianças e adolescentes, uma vez que Piaget é muito preciso quanto a idade em que esses estágios acontecem e não necessariamente, uma criança, em certa idade, deva apresentar as característica do respectivo estágio, já que deve-se levar em consideração aspectos que podem afetar diretamente a vida da crinaça: aspecto social em que ela está inserida o que inclui, por exemplo, nível de escolaridade e literacia. Assim como podemos encontrar crianças que apresentam um desenvolvimento precoce, mostrando característica de estágios mais avançados, também podemos encontrar crianças que possuem certa idade e apresentam características de algum estágio anterior.
Essa divisão tão precisa, dividida em idades, também foi adotada por Freud em sua teoria de desenvolvimento as quais são separadas em fase oral, anal, fálica, latência e genital.
Acredito que a formação biológica de Piaget influenciou, fortemente, o embasamento de sua teoria. Como biólogo, ele tinha interesse na maneira a qual um organismo se adapta em seu ambiente, ou seja, como ele se equilíbra. Ainda no texto de Rappaport[1], tive uma clara explicação do conceito de equilíbrio, defendido por Piaget em seus estudos como uma necessidade do indivíduo sobreviver em um ambiente por meio da manutenção de um estado de equilíbrio interno. Mas esse equilíbrio interno é abalado pelo meio e por outros indivíduos, gerando assim, um desequilíbrio que funciona, ao meu ponto de vista, como uma motivação para que ele mude suas formas antigas de raciocinar para novos modos de compreensão da realidade. Temos aí uma forte influencia biológica na qual, sugere-se que há a desequilibração e posterior equilibração que são causadas pela cooperação entre os indivíduos (termo que Piaget extraiu de conceitos biológicos). Percebe-se aí que Piaget não sugere a hipótese de que esse desequilíbrio possa surgir naturalmente, sem a necessidade de que outra pessoa desequilibre um indivíduo para que o mesmo possa criar um novo método para agir perante uma situação desconfortável.
Pode-se dizer que esse aspecto da teoria seja de grande valia e importância para os professores/ educadores no sentido de causar um desequilíbrio/motivação no aluno para que ele perceba diferentes formas de pensar, de resolver problemas e se reequilibrar novamente, mudando seus “esquemas” e despertando-se para o conhecimento e aprenda a solucionar questões cada vez mais complexas.
Dentre alguns aspectos negativos da Teoria de Piaget, considero de maior evidência, o fato dele subestimar o impacto cultural já que escolaridade e aptidão para leitura influenciam nos níveis de desenvolvimento, mas receio que para uma afirmação desse nível seria preciso uma leitura mais aprofundada da teoria.
Por outro lado, sua teria impacta na educação no sentido de acreditar que a criança aprende através do contato com ambiente, pode tornar a sala de aula um espaço de exploração e descoberta e, também capta as grandes tendências do pensamento da maioria das crianças.
Por isso, antes de se adotar a teoria como base para educar, deve-se estudá-la por completo. Uma má iterpretação ou a análise parcial da mesma pode gerar uma má execussão em um ambiente escolar, mesmo porque, Piaget não fez um estudo voltado necessariamente para pedagogia, ele dedica sua teoria ao entendimento e compreensão da inteligência humana, e esse é um tema que se reencontra em qualquer abordagem psicológica[2]. Yves De La Taille cita em um de seus vídeos que por ser sua teoria bastante consistente, ela consequentemente acaba sendo usada não apenas na perspectiva da inteligência, mas também em temas como afetividade, moral e evidentemente, educação[2]. Dessa forma, compreendemos a razão pela qual o nome de Piaget é tão forte e muitas vezes referência, em estudos relacionados à pedagogia e educação.

[1] RAPPAPORT, Clara Regina; I'IORI, Wagner da Rocha; DAVIZ, Cláudia; Pisicologia do Desenvolvimento- Teorias do desenvovimento Conceitos fundamentais- Volume I- São Paulo, EPU, 1981.
[2] Vídeo de Yves de La Taille